Aos 10 anos de idade, Francisco Pedro Alves Dário morava em Cedro, no interior do Ceará, e gostava de ouvir rock internacional, quando resolveu montar uma bateria improvisada com os baldes e panelas da mãe. Acabou tomando gosto pela coisa e com o tempo, mudou-se para Quixadá e conseguiu ocupar a vaga de baterista em uma banda de baile da cidade.

O que ele não sabia, na época, era que os caminhos da música o levariam a se tornar um dos bateristas mais famosos do Brasil, graças ao bordão que virou a marca da banda de maior destaque do Nordeste, a Aviões do Forró: “Riquelme! Simbora, meu batera!”.

Riquelme é o “nome artístico” de Francisco Pedro, inspirado no jogador argentino de futebol, Juán Riquelme. “Quando eu estava gravando com a banda Mastruz com Leite, me perguntaram qual era meu nome artístico. Na hora, passava um jogo do Boca Juniors [time pelo qual atuava o argentino] contra o Palmeiras na televisão e veio a ideia de usar o nome Pedro Riquelme”, conta o baterista.

Foto: Reprodução/Instagram
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Além do Mastruz com Leite, Riquelme tocou e gravou com diversos grupos antes de chegar ao, até então, iniciante Aviões do Forró. Quando recebeu o primeiro convite do empresário Isaías para fazer parte da banda comandada por Xand e Solange Almeida, o músico teve receio em aceitar.

“Eu já tocava com o Dorgival Dantas e fiquei com medo de trocar o certo pelo duvidoso. Eu vivia só da música e o Aviões ainda estava começando”, justifica.

A segunda oferta não demorou a aparecer e ele resolveu apostar na sorte. Aceitou o convite e tornou-se o baterista do Aviões do Forró que, na época, já começava com a proposta de fazer diferente e dar uma batida mais lenta e dançante ao forró que era executado nas rádios.

Por causa dessa inovação na levada do ritmo, Riquelme é considerado por muitos o responsável por revolucionar a maneira de executar o estilo. “Antigamente era mais vanerão, mais ligeiro. A banda chegou com uma pegada mais lenta e eu fiz umas misturas das levadas do pagode em cima do forró”, explica.

As experiências anteriores em bandas de baile e o gosto por ouvir todo tipo de música é o que, segundo ele, influenciam sua forma de tocar bateria. “No compasso em que eu ‘tô’ tocando, coloco várias coisas em cima. Eu gosto muito de escutar coisas diferentes e o que eu vejo que é legal eu boto no estilo de música que eu toco”.

Outra peculiaridade do grupo, que surgiu de uma ideia do vocalista Xand, foi a de dar destaque ao baterista, em contrapartida ao costume dos cantores de evidenciar os sanfoneiros. “Riquelme na batera” virou o principal bordão do Aviões do Forró e levou o nome do cearense aos quatro cantos do País.

“A maioria das bandas falava ‘puxa o fole, sanfoneiro’ e o Xand disse que ia fazer diferente e ia falar do baterista”, relembra o músico.

Foto: Reprodução/Facebook
Foto: Reprodução/Facebook

Na banda há 12 anos, Riquelme já fez turnês pela Europa e Estados Unidos e em 2009, participou do DVD “Pode Entrar”, da cantora Ivete Sangalo – que já citou, em entrevistas, a importância do baterista pela sua maneira de tocar.

Até hoje, Riquelme se diz grato ao cantor Xand por ter colocado os holofotes sobre ele. “Ele é um cara muito bacana, desde a primeira vez que a gente se viu. Graças a ele, os bateristas de forró são muito mais valorizados hoje em dia”, comemora o dono do ritmo do Aviões.

GABRIELA NUNES
Repórter